A Escoliose não é o Cobb

A Escoliose não é o Cobb

radiografia exemplificando Ângulo de cobb -

Escoliose não é ângulo Cobb

O mundo da escoliose está dominado por um “Ícone”, que é a medida em graus (chamado Cobb) da curva na radiografia. Este tipo de medida é chamado de “padrão ouro” para medições da escoliose. De fato, é um parâmetro chave, porém, não é o único, nem é tão preciso como os pacientes costumam com tristeza pensar. E isto cria uma interminável série de distorções.

Há pelo menos cinco questões fundamentais a esclarecer:

1_ Se partimos de uma definição de que a escoliose é uma deformidade tridimensional da coluna vertebral e do tronco, o Cobb não mede as três dimensões nem o tronco. Assim podemos entender que os Graus Cobb são uma medida parcial da patologia e não total. Tento dar um exemplo para me fazer entender. É como descrever uma casa com base nos metros quadrados que é certamente um parâmetro chave para entender muito da casa, mas com os mesmos metros quadrados, não temos como descrever se se trata de uma casa de luxo ou de uma cabana.

 

2_ O angulo Cobb mede um objeto em continuo movimento, que é a coluna vertebral fotografada num momento preciso. Neste sentido poderíamos compara-lo à medida de uma bandeira numa fotografia. As possibilidades de capturar a bandeira no seu apogeu máximo são extremamente baixas, sendo assim as medidas não podem ser exatas. É verdade que uma bandeira se move muito mais que um corpo humano, mas, lembra como se movem nossos filhos? E certamente a radiografia é apenas um instante destes movimentos.

3_ Os graus Cobb estão baseados na eleição correta das vertebras e numa interpretação da forma da vértebra e que é subjetiva individualmente a cada médico. Para continuar com o exemplo, é como se você quisesse medir a encosta de uma montanha numa fotografia. Muito vai depender do ponto de inclinação da encosta que tivesse que escolher (vértebras), e os marcos da inclinação (interpretação da forma da vertebra). E se você tivesse que tomar a decisão e depois um amigo fizesse o mesmo, provavelmente a inclinação seria semelhante, mas não seria certamente a mesma coisa. Basta que dois médicos escolham uma vertebra diferente para provocar um dos erros mais colossais que se encontram na clínica sem citar que isto realmente depende de experiência.

4_ Depois, há o chamado erro de medição. Um dos problemas que existe quando temos um número é que pensamos que isto é por definição preciso. E de fato o número é exato, mas, a realidade do mundo e do ser humano não são exatos mas, se aproximam do número. Exemplo: Alguma vez você tentou subir sucessivamente 10 vezes sobre uma balança? É muito provável que as medições sejam diferentes, e estas medições serão tão paradoxalmente diferentes quanto mais precisa seja a balança. Se o seu peso é medido por grama ou decimo de grama, garantimos que seu peso será 10 vezes diferente. Se o eleito fosse 4 ou 5 ao meio quilo ou o quilo seria 2 ou 3. Isto também acontece com os graus Cobb, um operador com muita experiência pode reduzir o erro a 2 graus, (ou seja, 3 graus querem dizer que houve uma mudança).

5_ Finalmente, um engano que se comete com o agravamento do grau Cobb é interpreta-lo como agravamento da escoliose, inclusive quando todos os outros parâmetros não mudaram. Nestes casos, há uma melhora que os graus Cobb não revelaram. Então qual é a verdade? O médico é capaz de interpretar e depois comunicar o seu julgamento baseado também na radiografia e apenas isto. Também nunca se deve esquecer que a comparação não é com a radiografia anterior, mas com a evolução da doença quando não havia nenhuma terapia. Muitas vezes uma ligeira evolução sinaliza, na verdade, um grande sucesso terapêutico, enquanto em outras vezes a mesma ligeira evolução é uma derrota real. Então novamente, o que conta é a interpretação de graus Cobb, que só pode vir da competência e da experiência, que neste campo são essenciais.

Então o que você deve fazer? Não medir os graus Cobb? Certamente que não, eles devem ser medidos com certeza. E se você encontrar um médico que não os meça, então não lhe dê ouvidos, porque ele não tem nenhuma experiência no tratamento da escoliose.

Mas não deve ser um dado absoluto que infelizmente, e com bastante frequência deixam os pacientes aborrecidos com uma mudança de 2 graus Cobb, já que estão dentro do erro de medição e, portanto, não pode ser considerada uma variação real (como a variação do número poderia nos fazer pensar). Os graus Cobb indicam um “intervalo”, ou seja, um momento da deformidade onde seria mais correto dizer escoliose leve, média, grave e não em graus individuais. Obviamente, esta classificação pode ser definida pelo médico somente após medidos os graus Cobb e não sem a medição.

Internacionalmente esta graduação foi definida pelas diretrizes da SOSORT:

  • Leve
  • Médio Leve
  • Média
  • Médio Grave
  • Grave

Finalmente o médico tem que entender que a escoliose não é o Cobb. Na verdade, o médico vê a dimensão da casa (escoliose) olhando todos os aspectos incluindo certamente os metros quadrados (os graus Cobb), mas não se limita a esta. Portanto confie nas medidas, mas não confie naquele que se baseia tão somente nelas para tomar as decisões.

Dr. Stefano Negrini 

Texto original no site ISICO.it

O Projeto Escoliose tem a autorização exclusiva para traduzir os textos editados e publicados por ISICO - Itália para o portugues - Brasil.

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